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Abastecendo os carretéis e conhecendo os sistemas dos molinetes.

Como preencher seu molinete corretamente e corrigir pequenos defeitos.

Conversando com um grande pescador e amigo Nelson Das Kobras, surgiu a idéia para esta importante pauta, discutíamos sobre a melhor opção de colocar a linha corretamente nos carretéis e corrigir alguns defeitos que eles apresentam, um assunto que quase não damos importância, mas tem muita influência na performance dos arremessos, integridade do carretéis e melhor aproveitamento da linha.

Em qualquer molinete que adquirimos, vem marcado nas bobinas, qual é a capacidade de armazenagem de linha de seus respectivos diâmetro, exemplificando, (220-0.35) que seria 220 metros de linha 0.35mm .

Mas na pescaria de praia, grande parte dos pescadores utilizam linhas com bitolas mais finas principalmente com a finalidade de atingir uma maior distância no arremesso e diminuir o arrasto com o atrito das ondas. E se adicionarmos apenas a linha com bitola fina, que em muitos carretéis de “long cast” caberiam facilmente mais de 600 metros, certamente poderíamos danificar o miolo do carretel, causando deformidades e até mesmo rompendo devido a grande pressão exercida. Então, qual a solução?


1) Abastecendo o carretel: a forma correta para não aplicarmos essa pressão ao carretel é de se fazer um fundo ou “cama” como muitos pescadores conhecem com linha mais grossa, normalmente de diâmetro 0.35mm, adicionar a linha principal de diâmetro menor como a de 0.18mm de quantidade relativa a cada modelo, muitos gostam de usar quantidades de 250m ou 300m, quantidades já vendidas em embalagens específicas, finalizando então com um arranque de uns nove metros de linha novamente mais grossa como a de 0,37mm Dica: Essa primeira linha que usamos como fundo “cama” não precisa ser de qualidade, preferencialmente uma linha barata, pois apenas será usada como preparação para receber a linha principal.





2) Quantidade de linha: sabemos que a forma correta então é de se preparar um fundo com linha mais grossa e adicionar a linha principal que será a mais fina, como fazer isso?

Existem alguns métodos de cálculos feitos em cima das medidas informadas nos carretéis e até programas de computador, mas uma forma precisa e eficaz é a da adição inversa. Simplesmente colocamos toda a linha mais fina que pretendemos usar no carretel, fazemos apenas um nó e completamos com a grossa.

Após finalizar tendo um preenchimento uniforme e correto, retiramos toda a linha e invertemos os lados.

Dica: Para modelos que tem carretéis sobressalentes, essa tarefa fica muito mais fácil e rápida, usamos o segundo carretel para inverter as linhas, adicionamos primeiro a linha fina e consequentemente a grossa no carretel reserva, depois voltamos toda a linha corretamente no carretel principal.


3) Sistema funcional dos molinetes: temos dois sistemas de fabricação dos molinetes, o sistema de “quadrante” e o de “rosca sem fim”. No sistema de sistema de quadrante, o quadrante desliza pela engrenagem inferior acoplado sobre um pino na própria engrenagem, fazendo com que o quadrante suba e desça, baixando e subindo o eixo do carretel. Esse sistema é o mais usado pelos fabricantes, porém, conforme o tempo de uso, o rasgo no quadrante vai se desgastando e o pino da engrenagem também, com isso vai apresentando folga entre as partes fazendo com que os carretéis apresentem algum defeito no bobinamento, porque a maioria são de “antimônio”, material que se desgasta mais rápido, ao contrario de alguns molinetes antigos, onde suas engrenagens e o sistema são de bronze ou duralumínio. Existem molinetes de quadrantes que os fabricantes superaram essa fragilidade, obtendo uma perfeição entre os sistemas.





O sistema de eixo com rosca sem fim, é o mais usado entre os fabricantes “top” de linha. Esse sistema tem um perfeito bobinamento, fazendo com que o carretel seja bobinado corretamente de uma extremidade a outra de seu carretel, as cavidades existentes no eixo de uma extremidade a outra, é a mesma proporção da área do carretel a ser preenchida.





4) Anti-reverso: é um sistema de roletes que se encontra na parte superior dos molinetes que trava quando a manivela for recuar. Deixando o recolhimento macio e preciso no ajuste da linha na água.


5) Defeitos de bobinagem: quando bobinamos toda a linha e a parte “superior” do carretel fica faltando linha, é porque a falha está no comprimento do eixo ou altura do carretel. Podemos corrigir este problema retirando a arruela de ajuste ou fazendo um fundo maior na parte superior.

Quando bobinamos a linha e a parte “inferior” do carretel ficar faltando linha, é devido ao carretel não estar subindo até à altura necessária da base. Podemos corrigir este problema ajudando o arretel ficar mais alto adicionando arruelas no eixo, ou fazendo um fundo maior na parte inferior.

Quando bobinamos a linha e ela se concentrar na parte superior e inferior, deixando o meio do cartel vazio, é um defeito difícil de ser corrigido, conseguimos apenas amenizar a irregularidade fazendo um fundo maior na parte do meio.






MUITO IMPORTANTE AO COLOCAR A LINHA

O primeiro passo ao trocar a linha do carretel, é dar uma boa limpeza para retirar aqueles resíduos brancos que sempre ficam na parede do carretel, para colocar a linha, devemos pegar um caniço e usar o primeiro passador como base, enrolar devagar, sem pressa e sem apertar demais a linha para não causar pressão ao miolo.

Devemos deixar o carretel com a linha exatamente uniforme, se deixarmos o carretel raso demais, devido ao atrito com a parte superior, perderemos em distância no arremesso e ficaremos vulneráveis na briga com um bom peixe.

Se enchermos demasiadamente o carretel, teremos problemas ao efetuar o arremesso, certamente ocorrerão às famosas “cabeleiras”, desperdiçando linha e testando a paciência do pescador.





Autor: Marcelo Rubio Esteves
Matéria: Coluna da Revista Pesca Esportiva, Edição Nº 130/Junho de 2008.

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