Apesar de mais comum em águas abertas, ele pode aparecer e tornar sua pesca de praia mais divertida e diversificada.
Alguns nomes de peixes já fazem parte do vocabulário do pescador de praia. Pampos, betaras, ubaranas, bagres e carapicus, entre muitos outros, estão entre os desafiantes que esticam nossas linhas no dia a dia de nossas pescarias. Há, no entanto, aqueles que só aparecem de vez em quando e, quando o fazem, tornam-se boas surpresas, instigando nossos conhecimentos sobre as espécies marinhas e como pescá-las.
É o caso, por exemplo, do galo-de-penacho ou simplesmente galo (Selene vomer), sobre o qual discorremos recentemente (edição 152). Outra espécie bastante curiosa é o cangulo Balistes capriscus, Aluterus monoceros e o Stephanolepis hispidus –(porquinho), um peixe pra lá de versátil e muito esperto, normalmente encontrado mais afastado de praias e baías e, dependendo da espécie, somente em mar aberto. Reconhecê-lo é fácil: de cor em geral acinzentada, tem o formato de um comprido losango, com o corpo comprimido lateralmente. Apesar da grande cabeça, sua boca é bem pequena.
A primeira nadadeira dorsal é composta por três espinhos, o primeiro deles maior e mais forte. Para encontrar comida, espirra jatos d’água no fundo em busca de pequenos vermes e crustáceos, devorando-os rapidamente assim que os descobre. Com a mesma técnica, o cangulo é capaz de virar um ouriço de ponta-cabeça e comê-lo com seus fortes dentes. Tem o hábito de andar em cardumes e sua carne é muito apreciada. Quem nunca provou um petisco de “porquinho” num quiosque à beira-mar?
Material recomendado
Varas: com 3,9 a 4,2 m de comprimento, com ação média a lenta (para pequenas e médias distâncias, de até 50m) e ação rápida para distâncias superiores a 50m.
Molinetes: de médios a grandes, (de 4000 a 6000, com capacidade para pelo menos 300 metros de linha principal.
Linhas: de náilon, com espessura variando de 0,16 a 0,23 mm, lembrando que linhas mais finas proporcionam maior sensibilidade e melhores fisgadas.
Anzóis: devem ser pequenos, em virtude da boca diminuta do cangulo. Os modelos/tamanhos Maruseigo 10, Koaji 8, Hansure 8 e Akita Kitsune 10 são boas indicações.
Iscas: iscado em pequenos filés, o tradicional camarão é irresistível. Minhocas de praia e tiras bem finas de lula também podem ser usadas com bom aproveitamento.
Chicotes e pernadas: devido ao hábito do peixe de procurar comida junto à areia, as pernadas posicionadas próximas ao fundo são as mais eficientes. Pode-se, por exemplo, usar um chicote tradicional de dois rotores, com distância de 70 cm entre eles, deixando-se a pernada de baixo com 40 cm para que circule livremente no fundo. A de cima é bem mais curta, com 20 cm, para que fique suspensa quando o chicote “deitar”.
Kamikaze?
Não foram poucas as vezes em que, enquanto eu recolhia um peixe com os pés na água, fui surpreendido por algo se debatendo a meus pés. Em todas as ocasiões, eram cangulos que vieram “surfando” nas ondas até chegarem praticamente à areia. Desorientação? Fuga de algum predador, como mostra a foto de um exemplar com a marca de um ataque? Ainda não encontrei explicação para essas ocorrências, mas é pouco provável que se trate de um comportamento suicida por parte do peixe.
Autor: Marcelo Rubio Esteves
Matéria: Coluna da Revista Pesca Esportiva, Edição Nº 154/Junho de 2010.
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