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Como foi escrito este texto não têm muita coisa com ou até mesmo nada com a pesca de praia mas certamente dará subsídios àqueles que desejarem alguma informação sobre esse moderno tipo de linha que já está fazendo parte do "arsenal" de um grande número de pescadores com iscas artificiais e agora até mesmo muitos de praia.

Tirei esse título de uma pergunta postada no fórum Eco Pesca e intentando respondê-la comecei a pesquisar e a relembrar minha história com ele, desde que há dez anos quando recebi de um amigo, metade de um carretel da Spiderwire, para que enchesse minha carretilha antes de uma pescaria em Cananéia.

Na ocasião quando corricava Anchovas na primeira passada por uma curva do costão a linha passou por uma craca e cortou-se em fiapos, voltei ao monofilamento.

Depois, noutra pescaria arremessando iscas de superfície, por algumas vezes a linha "trancava" no carretel e a isca voltava assustadoramente sobre mim.

Era ruim ou eu que não sabia usá-lo, não pensei nisso até o ano retrasado quando resolvi tirar a coisa a limpo.

Com a descoberta do náilon em 1935 os pescadores acreditaram que nada poderia ocorrer de melhor, no entanto, quarenta e oito anos depois a descoberta do recobrimento do náilon com Fluorocarbono e até mesmo a criação de monofilamentos deste material, trouxeram ou abriram ao pescador novas possibilidades na pesca, agora aumentadas com a utilização dos multifilamentos.

Na verdade linhas trançadas para a pesca nem são novidades, pois nos idos de 1800 linhas para a pesca de fly já eram obtidas da torção de crinas de cavalos.

A sacada se existe é o material empregado, primeiramente o Dacron, feito a base de algodão e muito usado na pesca oceânica durante as últimas décadas.




Os primeiros multifilamentos como os conhecemos hoje, introduzidos no mercado em meados dos anos 90 para a pesca de arremesso eram a base de kevlar e tinham um alto teor de abrasão tanto ao equipamento quanto para eles mesmos, necessitando que varas, carretilhas e moline-tes fossem especialmente fabricados para o seu uso o que na ocasião dificultou a sua disseminação, foi à época das carretilhas que enrolavam em "X", dos passadores em ligas especiais e até mesmo tesouras.

Embora ainda existam multifilamentos fabricados a base de Kevlar, hoje já não tão abrasivos, a grande maioria dos "Multi" de boa qualidade são normalmente torcidos à base de filamentos de Polietileno Gel Spun, denominado comercialmente de "Spectra" (marca registrada da Hoeneywell), muito finos e com elasticidade próxima do zero, anteriormente destinados apenas à fabricação de roupas especiais e até mesmo coletes à prova de balas, visto sua resistência muito superior a multifilamentos de aço, apesar de serem muito mais leves que este.




Suas grandes características a par de não serem nada abrasivos são a forma arredondada e as tramas muito mais justas, que permitem diâmetros cada vez menores em relação à libragem proporcionada, principalmente se comparados aos monofilamentos de náilon, normalmente quatro vezes mais grossos. Também aceitam melhor os nós e não conservam nenhuma "memória", facilitando o enrolamento e os conseqüentes arremessos.

Outra grande e importante característica é que por terem como já dito, tramas mais justas e serem cada vez mais finos eles absorvem menos água e produzem menos arrasto quando tracionados e apesar de muito mais caros que os monofilamentos de náilon, duram quando bem cuidados até dez vezes mais que eles, bastando tratá-los com silicone, em spray para facilitar o trabalho.

Como disse, ano retrasado depois de entender tudo isso e apesar dos esforços continuar arremessando de dez a vinte metros menos que o Tuba, (lançando com mono e ele com multi) na pesca das Anchovas, aderi.

Agora só perco por 7,8m. Hahahaha!!!.




Passei a usar multifilamento em pescarias que dependem de um bom arremesso e de boa resistência à tração com pouca elasticidade.

Mas nem tudo é alegria. A par dessas qualidades importantes ele ainda necessita de alguns conhecimentos a mais por parte do pescador, principalmente no tocante a nós. A utilização de um líder de monofilamento é também necessária, seja pela resistência à abrasão, seja pela melhor dissimulação deste na água, como tudo na vida o multi tem prós e contras!

Cuidados:

O maior e grande cuidado do pescador é que por ter elasticidade bem próxima do zero, ferradas muito bruscas poderão quebrar as varas, principalmente àquelas ditas rápidas ou com "ação de ponta".

Uma pequena ferrada seguida de um giro da manivela resolverá a situação.




Por serem muito mais finos que os "mono", qualquer carretilha ou molinete é capaz de receber uma grande e desnecessária quantidade de "multi" pois normalmente e salvo melhor juízo, ninguém usa mais que sessenta a setenta metros de linha numa pescaria com iscas artificiais e sendo assim o carretel poderá ser completado como monofilamento à guisa de Backing, como no fly.

Eu particularmente conforme o equipamento a que se destinam, divido o carretel de 300jardas ou 270metros, em três ou quatro partes iguais e o de 150 jardas em duas. Sem ter um medidor, como faço isso?




Primeiramente pego uma panela e meço o seu perímetro ou circunferência com uma fita ou o calculo, depois de medir o seu diâmetro e conseqüentemente descobrir o raio, no caso da panela da foto, 10 cm.

A estas alturas vocês já devem estar me considerando um louco, mas para mim a pescaria é cheia dessas lucubrações que muitas vezes como neste caso, facilitam a nossa vida, vejamos:

Circunferência da panela:

Medida com a fita = 63 centímetros.

Calculada pela fórmula 2Pi R = 2x3, 1416 x 10 = 62,832 centímetros.

Sabendo disso, se quero dividir o carretel em quatro e que cada parte deverá ter 67,5metros, bastará enrolar a linha na panela por 107 voltas e eu terei a carga para minha carretilha ou molinete. Se quiser dividir por três, enrolar 145 voltas e terá os 90 metros.




Mas com tão pouca linha o carretel ficará vazio (ou pouco cheio dependendo do ponto de vista), dificultando os arremessos. Se está vazio precisamos enchê-lo e como faremos isso:

Primeiramente enrolamos o multi bem apertado e quando terminar o unimos com um nó Albright ou outro de confiança do pescador à uma linha mono 0.30 a 0.35mm, que deverá preencher o carretel (bem apertado) até 2mm de sua borda. Tcham, Tcham, Tcham!

Agora é só inverter a linha passando o mono para baixo e você estará pescando com multifilamento e garanto que até se esquecerá do backing feito com monofilamento e se um dia lembrar, poderá até pensar em sem mexer no mono, inverter o multi passando a parte mais gasta para baixo e a quase nova para cima.

Nó Albright







Acabamento:




Observações:

Para a pesca de praia as maiores considerações seriam quanto à escolha de uma boa marca em relação ao custo-benefício e uma resistência em torno de 15Lb, não pela sua resistência mas pelo seu diâmetro, que quanto mais fino, mais difícil de controlar.

Acredito que economicamente poderemos pescar com um mínimo de meio carretel de multi 300Jd (135m) complementados com um backing de monofilamento 028/030mm.

Ou melhor ainda usar 150/180m do muti para o molinete barra pesada deixando 120/90m para a média distância, sempre complementados pela quantidade de monofilamento necessária ao preenchimento do carretel.

Não vou entrar aqui em considerações sobre marcas, pois todas devem ter as suas qualidades e deficiências.

Na verdade acho que só quis demonstrar que o "Multi" não é tão feio quanto pintam, quem usar verá!


Autor: Cr@vo

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